José Fialho Gouveia, homem da rádio

Separadores primários

Foto de Fialho Gouveia

José Fialho Gouveia (1935-2004) foi uma figura central da televisão pública, para onde entrou quando a RTP começou a emitir em 1957. Juntamente como a sua primeira mulher, Maria Helena Varela Santos.

Se toda a gente se lembra de Fialho Gouveia do programa televisivo Zip-Zip, onde emparceirava com Carlos Cruz e Raul Solnado, a sua passagem pela rádio foi igualmente importante. O livro saído em 2013, escrito por Maria João Fialho Gouveia, filha dele e de Maria Helena Varela Santos, Fialho Gouveia. Biografia Sentimental, faz um registo muito aproximado da vida desse profissional da rádio.

Fialho Gouveia passou pela Rádio Universidade, como locutor. Quem por lá passou recorda-se de Adolfo Simões Müller, então na Emissora Nacional, a orientar a prova de entrada como locutor: inventar uma reportagem, ler um texto ao microfone. Depois, o jovem Fialho Gouveia foi aos concursos da APA (Agência de Publicidade Artística), que organizava um espetáculo semanal, e ao Comboio das Seis e Meia, de Igrejas Caeiro [e José Castelo], o primeiro já demitido da Emissora Nacional por razões políticas. Neste segundo programa, Fialho Gouveia ganhou um prémio ou mais. Num deles ganhou 200 escudos, uma quantia não desprezável na época. Os dois programas eram transmitidos por Rádio Clube Português, então a construir o seu período de maior fama (pp. 34-36). O livro não indica os anos destes acontecimentos, mas eles passaram-se antes de 1957.

Em 1959, Fialho Gouveia integra a equipa de Paulo Cardoso no programa Diário do Ar, na Rádio Renascença (p. 55). Programa de reportagem, cujo mote era “Aquilo que você gosta é a nossa especialidade”, tinha ainda como membros da equipa Maria Helena Alves, José Manuel Bento, Aurélio Carlos Moreira e Maria Helena Varela Santos.

Já em 1967, José Fialho Gouveia, com Carlos Cruz, estreava nas ondas médias de Rádio Clube Português o programa PBX (p. 63), um dos maiores programas da rádio desse período, produzido pelos Parodiantes de Lisboa. A equipa ainda era constituída por José Nuno Martins, Joaquim Furtado, Adelino Gomes, Luís Filipe Costa, João Alferes Gonçalves, Rui Pedro, João Paulo Guerra e Paulo Morais. O PBX era a concorrência do programa 23ª Hora da Rádio Renascença. A audiência era muita, porque à música e às entrevistas, os realizadores acrescentaram a reportagem de rua, tornando o programa muito vivo. Nomeadamente quando na madrugada de 25 para 26 de novembro de 1967, violentas inundações atingiram o Ribatejo e a Grande Lisboa, o que levou os profissionais do programa a cobrirem o acontecimento, do qual resultou a perda de vida de centenas de pessoas (no livro: 451 pessoas) (p. 71).

Paulo Morais recordaria assim para o livro: “há uma certa técnica de montagem utilizada nas entrevistas do PBX que tem alguma coisa que ver com a montagem de cinema” (p. 70). Por seu lado, João Paulo Guerra, ao descrever a sua admiração por Fialho Gouveia, conta a história da reportagem em direto de uma travessia do canal da Mancha, em que, devido ao mau tempo, ele se perdeu (p. 69). O aniversário do programa decorreu em direto no Rossio, com uma cabina de vidro que permitiu ao público ver como se fazia um programa de rádio (p. 72). O custo do programa era elevado, pelo que os Parodiantes decidiram prescindir da realização da dupla Fialho Gouveia-Carlos Cruz. A seguir, nascia o Zip-Zip, com o Raul Solnado, mas aí já era televisão.

Leitura: Maria João Fialho Gouveia (2013). Fialho Gouveia. Biografia Sentimental. Amadora: 20/20 editora, 384 p., 19,99 €

(revista Antena, nº 60, 1 de setembro de 1967)


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