Censura na rádio

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A censura foi uma atividade perene e sempre violenta no Estado Novo. Na rádio, isso também existiu. Eu retirei do arquivo do SNI (em depósito na Torre do Tombo) duas cartas de estações então a laborar no Porto: Emissor Eletromecânico e Portuense Rádio Clube, ambas de 1949.

“Entrevistas às Estátuas” fora um programa enviado indevidamente para censura prévia pela primeira daquelas estações, a questionar o patriotismo do regime, amesquinhando figuras da História do país. A direção da rádio suspendera o programa, conjuntamente com outro, “Coisas que não Estão Certas”, mas uma empregada da rádio deixara passar a primeira.

A outra carta a desculpar-se por emissão imprópria é mais inverosímil. “Um Namoro Original”, retirado de livro intitulado “PBX”, continha uma proposta indecente do ponto de vista moral. Dois namorados, cada um em sua casa, telefonam-se. Como estavam deitados, os censores depreendiam a idealização de uma relação sexual antes do casamento, ato proibido pela moral do regime. A razão fora a necessidade de substituir uma rubrica, com um problema que a impediu de ir para o ar. Reação pronta: despedimento do colaborador, castigo que se esperava fosse exemplar.

As culpas nunca eram das direções, mas de outros, os subordinados. Há um pano de fundo a explicar isto: as estações tinham obtido autorização de publicidade uns meses antes e não queriam perder a possibilidade de ganhar dinheiro.


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