Teatro radiofónico rápido (8)

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Não consigo explicar racionalmente porque não gostei, nas duas primeiras leituras, do livro de António Moreira da Câmara, "Romance da Emissora. Lugar da Memória" (2007, Roma Editora, 93 páginas). Talvez pelo modo como se mostra desapontado com a rádio a seguir a 1974 (uso um termo neutro para justificar a sua atitude). Ou porque branqueia o jornalismo de Ferreira da Costa, em especial nas suas crónicas sobre Angola no tempo da guerra colonial, e critica de forma violenta a tese de mestrado de Dina Cristo (uma das melhores que conheço sobre a história da rádio, a par das de Nelson Ribeiro e Paula Borges Santos). Creio que nunca escrevi sobre Moreira da Câmara. Mas, fora isso, tem tanto valor como os livros de Eduardo Street e Matos Maia sobre a rádio (e até Artur Agostinho e os mais recentes de António Rego, Carlos Cruz, Júlio Isidro e António Sala).

Hoje, fico-me com a ideia por detrás do título "Romance da Emissora". Na página 53, revela-se esse título: Júlia Maria com Galeano Pinheiro, Ivo da Silveira e Clarisse Guerra, Teresa Caldeira e António Carepa, Carmen Dolores com Vítor Veres. Teria havido ainda casais dentro dos serviços administrativos e técnicos. Além, claro, está, de Pedro e Leonor.

Entrado em 1949 como locutor na Emissora Nacional, Moreira da Câmara numa ou noutra ocasião deu conta desse romance de Maria Leonor Magro e Pedro Moutinho, casados e depois separados. Com interrupções, comentou, como verificou no gabinete de estúdios, "um encontro furtivo, de alguma ternura. Escapatória de saudades. [...] Estavam Pedro e Leonor em séria intimidade" (página 25). Ou "interlúdio de romance. Ela entra nos estúdios. Ele esconde-se no disfarce do olhar. Vê sem dar nas vistas. E sente, com júbilo e desejo, que ela nota e partilha o alvoroço comum" (página 52).

Do livro de António Moreira da Câmara retiro a imagem de conjunto dos locutores (datada entre 1944 e 1949). Nove grandes da rádio nacional portuguesa. Da esquerda para a direita: na primeira fila e sentadas: Maria Leonor Magro e Etelvina Lopes de Almeida; de pé: Pedro Moutinho, Francisco Igrejas Caeiro, Alberto Represas, João da Câmara, Artur Agostinho, Domingos Lança Moreira e Jorge Alves. Pedro e Leonor estão de mão dada. A outra fotografia, que já publiquei e comentei aqui, mostra o casal no estúdio.

Romance é o que pretendo estabelecer para o meu teatro radiofónico entre Alice Caeiro e Alberto Fonseca. Ainda não sei qual vai ser o desfecho, embora já tenha algumas ideias. Vou pensar, nos próximos dias, nesta escrita frenética. Reconheço que o modelo Pedro e Leonor me inspira.