O radioamadorismo e as pessoas com deficiência (1)

Separadores primários

Já escrevi algumas vezes que este blog pretende ser apenas um bloco de notas, com posts curtos, para evitar o cansaço natural da leitura.
Cada tema, cada assunto terá réplicas que se espalharão em textos futuros.
O impacto do radioamadorismo entre as pessoas com deficiência é um desses casos...
Já me tenho perguntado o que leva alguém a investir, por vezes bastante dinheiro, em equipamentos, antenas, etc, para pegar num microfone e falar com alguém a milhares de quilómetros em QSOs que duram instantes ou horas?
E porque é assim desde os primórdios da TSF.
Há várias respostas, a vontade de fazer um contato difícil, a vontade de experimentar novas tecnologias, confirmar um grande número de países, coleccionar QSLs, etc.
Falar, falar, nem que seja um "Five nine" ou um beacom disparado por um computador.
Parece-me que, em todos os casos, pode existir um motivo comum, vencer a solidão, o isolamento ou a timidez.
E quando refiro estes motivos não quero dizer que os amadores tenham problemas de socialização ou sofram de alguma exclusão social.
Muitas vezes estamos sós num espaço cheio de gente, rodeados pelas pessoas que mais amamos...
O motivo não é muito diferente para as pessoas com deficiência, mas reveste-se de uma enorme importância quando se trata de vencer o isolamento, a exclusão ou a imobilidade.
Para os radioamadores limitados pela sua mobilidade, seja por deficiências físicas ou sensoriais, poder falar com alguém que pode estar ali perto ou no outro canto do mundo, é libertador; significa viajar, sair, partilhar momentos.
Por isso existem tantos operadores com deficiência, porque a rádio acaba por ser uma janela para o mundo.
Muitas vezes nem imaginamos com quem estamos a falar, e isso é bom, porque evita alguma carga emocional, sentimento de pena ou discriminação.
Por outro lado, o amador com deficiência também não necessita de partilhar esse estado. O anonimato, pelo menos visual, ajuda na relação que se estabelece.
Num QSO futuro, em que há mais confiança, pode vir a tal referência à limitação motora, visual, etc.
Como já nos conhecemos um pouco neste blog, e talvez alguns até me conheçam pessoalmente ou convivem comigo por esse mundo da Internet, estou já à vontade para falar um pouco da minha experiência enquanto radioamador cego.
Mas isso ficará para um próximo episódio... digo... próximo post!

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