O radioamador que patilha mais rápido que a própria sombra

Separadores primários

Imagem do cowboy Lucky Luke

Lembram-se daquele cowboy da banda desenhada que ficou conhecido por disparar mais rápido que a própria sombra?
Pois é, também existe essa figura no radioamadorismo!
No caso o disparo é feito com a PTT do rádio e, de preferência ainda mesmo antes do QSO anterior ter terminado.
Já no tempo das comunicações analógicas, alguém ainda se lembra?, que era, digamos, de bom tom, dar um espaço entre cada QSO. Isto possibilitava a entrada de outro colega na conversa, (Oportunidade para CT...) ou mesmo solicitar o uso da frequência para uma chamada.
Nas comunicações digitais mantém-se a regra e a causa, mas acrescenta-se outra.
Uma rede digital, a tal que possibilita conversar com um colega a milhares de quilómetros, é isso mesmo... uma rede. Uma série de ligações encadeadas que usam vários tipos de dispositivos, sistemas e recursos.
Um colega pode estar a falar usando um Hotspot e outro receber num repetidor.
Não existe uma linha direta que liga os dois, há, pelo meio, uma data de sistemas que encaminham a informação até que chegue ao destino.
Os entendidos em redes e sistemas informáticos explicarão, e já o têm feito, nomeadamente no habitual NetCT, bem melhor que eu.
Mas importa perceber que este caminho entre dois pontos encontra engarrafamentos, atrasos, constrangimentos, que provocam um delay, retardo, entre as comunicações.
Basta fazer uma experiência, se tiverem dois rádios, e todos os amadores têm, tentem ouvir um TG num através do Hotspot e o outro por um repetidor.
Vão perceber um delay, retardo, entre os dois. Um chegará primeiro. Este retardo depende de vários fatores, mas tem tendência para se agravar quando a distância é maior ou a linha que une estes dois pontos não é exatamente a mais curta.
Também se agrava quando existe uma conversão de formatos, DMR para DSTAR, por exemplo.
Imaginem um QSO entre dois operadores, um em DMR usando o TG268912 através de um Hotspot e o outro em XRF268E num repetidor DSTAR nos Açores.
A distância, a interligação entre redes e repetidor de RF e ainda a conversão de DMR para DSTAR e vice-versa, provocará um atraso de alguns segundos.
É necessário, imperativo, obrigatório, dar um espaço de alguns segundos, digamos, uns 5 pelo menos de espaço entre cada QSO. É necessário porque os repetidores, os computadores, enfim, toda a rede, tem de "desarmar" para poder iniciar um novo fluxo de dados.
Além disso existe outro detalhe. É durante este tempo que o amador que está ligado ao TG pode desconectar para passar a outro ou, simplesmente desligar do repetidor, como deve ser da praxe.
Se não for dado este espaço, o amador vai tentar patilhar mas sem sucesso, tornando as coisas ainda mais confusas.
Nos NetCT continua a não ser dado este espaço, impedindo que muitos participem.
Caros colegas, isto não é uma corrida em que ganha quem apertar primeiro a PTT. Ganhamos todos que conseguirmos, de forma tranquila, participar num momento único em que se reune uma boa parte dos utilizadores dos modos digitais.
O cowboy é o Lucky Luke que dispara mais rápido do que a própria sombra, enfrenta em todas as suas aventuras o crime e a injustiça. Um verdadeiro super herói.
Para os radioamadores, não é este o caso.

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