A rádio em África (15)

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4. Rádios de Luanda [a partir do meu livro A Rádio Colonial em Angola, 2020]

Rádio Clube de Angola, Emissora Oficial de Angola (rádio de Estado) e Rádio Ecclesia – Emissora Católica foram as principais estações que emitiam de uma Luanda moderna e de cultura popular e musical vibrante. O período de 1966 a 1974 foi de permanente crescimento da rádio angolana, a ressaltar a vertente comercial lucrativa e aliada às indústrias da publicidade e da produção discográfica. Rádio Clube de Angola começou a emitir oficialmente desde fevereiro de 1938 com a divisa “onda popular de Angola”, hino da estação a abrir e fechar as emissões, antes do hino nacional, e emissor inicial de 100 watts. Em 1946, a estação tinha programas musicais, variedades, teatro radiofónico, notícias, discos pedidos, programa infantil, sinal horário e publicidade. Até ao surgimento da Emissora Oficial de Angola, aquela estação teve a função de rádio oficiosa, com leitura de comunicados do governo, discursos e avisos obrigatórios. No fim da década de 1960, emitia das 7:30 à 1:00, em ondas médias, ondas curtas e FM. Rádio Clube de Angola, para além de sócios, venda de tempo de antena a produtores independentes e publicidade, cedia o jardim para eventos e festas, com boas instalações situadas perto do liceu Salvador Correia e do antigo campo do Benfica. Conchinha de Mascarenhas, uma das locutoras mais populares, começou em Rádio Clube de Angola, mas sairia para a Emissora Oficial de Angola.

A rádio oficial principiou a trabalhar em 1951 ainda em moldes modestos. De modo provisório, a estação contou com emissor de 100 kW alugado à Rádio Marconi e usou estúdios de Rádio Clube de Angola. Ao fim de dois anos, a emissão passou a diária, altura em que também se admitiu pessoal, adquiriu discos e pagou a colaboradores literários, culturais e artísticos. A ideologia imperial aparecia pela orientação do governador-geral da colónia. A música tocada na Emissora Oficial de Angola era ocidental, europeia e americana, visando um público predominantemente português, de brancos e mestiços (assimilados). Além da produção própria, houve intercâmbio com a Emissora Nacional em noticiários, programas e atualidades, concertos de música clássica, desporto (e com relatos de hóquei em patins e basquetebol locais). Em 1971, a estação inaugurava um magnífico edifício, que só posso comparar ao de Rádio Clube de Moçambique no tempo colonial.

Rádio Ecclesia arrancou em 8 de dezembro de 1954, com um emissor de ondas curtas de 50 watts, poucos discos e instalações exíguas na rua de S. Paulo. As emissões diárias regulares começaram ano e meio depois, com o padre José Maria Pereira a diretor. Na segunda metade da década de 1960, o modelo da estação era o de programas religiosos e o de aluguer de horas de emissão a produtores independentes, semelhante ao de Rádio Renascença em Lisboa, permitindo uma grande independência financeira. Na vertente comercial, cito os programas Luanda (de José Maria Pinto Almeida, 1962), Café da Noite (de Sebastião Coelho, 1963) e Equipa (de Carlos Brandão Lucas, que começou a colaborar com a estação em 1959).

[continua]

[imagens fornecidas por radialistas ou retiradas da internet: Luís Montez (pai), Ferreira Borges e Conchinha Mascarenhas; Helder de Sousa, Frederica Seiz, Gonçalves Nunes e Carlos Brandão Lucas; Pires Brandão; Sara Chaves]