PT Anniversary - O peso do espírito

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O silêncio da alma

O PT Anniversary - O peso do espírito e o silêncio da alma



Foto do PT Anniversary


Miados dos anos noventa. Dez anos já passaram desde a criação do Xerxes da Roksan, o que eclipsou um pouco os produtos de uma outra marca nascida quase ao mesmo tempo (em 1980, um pouco atrás), ou seja a Pink Triangle.

É uma marca estranha de compreender (ainda hoje, mesmo já não existindo), uma mistura de irreverência e provocação, como o país de sua majestade tanto gosta de criar (às vezes).

Pink Triangle ou seja, o "triângulo cor de rosa" invertido como um sexo feminino estilizado, é o símbolo dos homossexuais ingleses.

Aqui está a primeira provocação, a segunda é de ordem conceptual e estrutural. Foi para a Pink Triangle, que os jornalistas ingleses criaram a expressão "cottage firm", ou seja, marca de garagem, como o termo é utilizado hoje, para as pequenas empresas que fabricam artesanalmente e num pequeno espaço os seus produtos.

O mestre de obra da marca e o pai espiritual é o Arthur Kobésserian. Físico de formação, irá resolver os problemas próprios da contraplaca suspendida, de uma maneira radicalmente diferente que o Touraj Moghadam da Roksan.

Em primeiro lugar, a Pink Triangle recusa o recurso ao peso como uma solução, é mesmo o contrário. A utilização de "compósitos", ou seja materiais específicos à aeronáutica e outros sectores de ponta da época, torna-se habitual.

Assim o Kevlar, a fibra de carbono (simples ou em sandes), o alumínio alveolar e o acrílico dito "heterogéneo", são os materiais preferidos pela marca.

Mesmo os eternos motores síncronos são abolidos pelo Arthur K. Ele irá utilizar micro modelos de motor de precisão, alimentados em corrente contínua por baterias. Como se vê um Pink Triangle é parecido com um LINN ou um Roksan, parecido apenas, todo o resto é diferente de tudo o que existia, do que existe, e foi muito copiado, mesmo pelo Verdier nos motores!

O " Anniversary" foi criado como uma homenagem, no meio dos anos noventa. Difícil de imaginar que no interior deste gira-discos ; com um desenho e uma aparência clássica, estão tantas peças de alta tecnologia. É o último gira-discos criado pela empresa e para muitas pessoas um objecto de culto sem limites. Os mais prestigiados jornalistas do mundo consideram, que faz parte dos cinco melhores gira-discos de sempre.



Outra foto do PT Anniversary



O Pink Triangle Anniversary - a razão do mito e os segredos desta máquina


No exterior o PTAn (lê-se Pitian), como lhe chamam os íntimos, é parecido com todos os outros gira-discos de contraplacas suspendidas da época, mas o que salta aos olhos imediatamente é o prato em plástico e não em alumínio. Feito em acrílico, polido e moldado a baixa temperatura e rectificado, tem a particularidade de absorver e diminuir as vibrações e "desfazê-las" num espectro largo (de 10 a 250Hz). O contra prato é em alumínio alveolar, muito leve e rígido, rectificado e ligado ao eixo principal.

Mas o melhor está escondido no interior. A contraplaca é fabricada em fibra de carbono em sandes, ou seja, uma folha de carbono, uma folha de espuma de Kevlar e uma folha de carbono (como os braços de rigidez das asas dos aviões de caça militares. Esta placa de 5mm de espessura, é dez vezes mais leve que o inox e vinte vezes mais rígida. É suspendida por molas calibradas como um LINN. Mas a comparação acaba-se aqui.

O motor que é habitualmente montado sobre o corpo, também vai ser montado na contraplaca e suspendido por sua vez desta última. A distância motor eixo/prato torna-se constante em todas as circunstâncias. O motor é suspendido mais rígido que a contraplaca (por silent-blocks em borracha), para dispersar as frequências de ressonância. A geometria motor/eixo é particular, e é, por si só, um traço de génio. Em quase todos os GD o motor é montado o mais oposto possível da célula para evitar interferências parasitas. Irá colocar o motor no eixo chumaceira/braço, a tensão da correia será paralela visto do anglo de leitura do diamante, e o movimento lateral da contraplaca deixa de ser um problema. Como o motor é em corrente contínua, minúsculo e alimentado por baterias, as interferências não podem existir. Como a contraplaca é muito leve e muito rígida, a "sagrada" rigidez braço/prato é perfeita e ainda por cima com um mínimo de vibrações colaterais.

O PTAn, é o primeiro e o único gira-discos de "contraplaca totalmente suspendida" da história. O corpo é uma caixa sem nada, o único contacto com as peças em movimento são as três molas.

De série o PTAn era equipado com os melhores braços da época, SME série 5, Moerch DP-6, Ron Wood Scorpio, etc.


Vantagens


O sistema único de suspensão confere ao gira-discos uma limpeza de rotação e vibratória única. Nada se ouve, mesmo com um estetoscópio pousado no corpo.

A alternância de materiais nobres como a Madeira, e modernos como a fibra de carbono, dá-lhe uma aparência ambígua, algures entre classicismo e sport GT. A pesar da leveza do objecto, o sentimento de solidez é palpável.


Inconvenientes


Os principais inconvenientes estão ligados à estrutura da firma. As peças artesanais, não têm a qualidade de acabamento de outras marcas de topo de gama. Segundo a série, os parafusos e outras peças menores podem ser diferentes. Nunca ninguém sabia quando ,ou se ia receber o seu gira-discos.

A faceta artística do Arthur K., fez desacreditar o rigor comercial da marca, e conduziu-a à falência. Os preços eram muito elevados, e o cliente não compreendia às vezes porquê.


Escuta


O PTAn não soa como nenhum outro gira-discos. A qualidade dos silêncios é extraordinária. Dá a sensação de recuar o ruído de moldagem do vinil, e extrair a dinâmica, assim como os detalhes (micro sinais), directamente do silêncio. Não possui "inchaço" no baixo/médio, o que é raro num gira-discos, mesmo de topo de gama. O som é sempre limpo e sem distorção de contorno aparente.

Com uma célula moderna, pode rivalizar com um CD qualquer, no critério da transparência dos timbres e no respeito pela precisão harmónica. A capacidade de modular o sinal desta máquina é único, e difícil de igualar.

Enfim, ao lado destas super qualidades técnicas, há uma que faz a unanimidade e que fez o mito. Um Anniversary tem um som mágico nas vozes. Cheias, palpáveis e simplesmente humanas.

Uma máquina que ainda hoje desafia o entendimento e a análise. Uma obra-prima para a eternidade.



Nota final

Para saber mais sobre a tecnologia da contraplaca leia este artigo

Para a escuta o autor trabalhou com um PTAn de 1995, equipado com um braço Moerch DP-6 e uma célula LINN Arkiv.

A segunda foto é um PTAn modificado pela Funk que foi criada pelo Arthur Koubésserian.



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